Você sabe o que é Hérnia de Disco?

A coluna vertebral é composta por vértebras, articulações, ligamentos e discos intervertebrais. Os discos intervertebrais são cartilagens fibrosas que estão localizadas entre as vértebras de nossa coluna. Essas estruturas contribuem para aproximadamente 30 % da altura da coluna vertebral e possuem funções importantes. As funções dos discos intervertebrais são: absorver e dissipar apropriadamente o impacto, promover movimento entre as vértebras e prevenir o cisalhamento entre vértebras.

Para desempenhar essas funções o disco intervertebral precisa ter sua estrutura preservada. O disco é formado principalmente por duas estruturas, o anel fibroso e o núcleo pulposo. O anel fibroso é uma estrutura mais periférica do disco, relativamente rígida, rica em colágeno, e sua função é de encarcerar o núcleo pulposo. O núcleo pulposo, por sua vez, é uma estrutura gelatinosa, rica em água. Essa abundância em água do núcleo pulposo permite a dissipação adequada de impacto para o anel fibroso e para as vértebras, além de dar ao disco a função de mobilidade.

Os discos estão localizados a frente e próximos a medula espinhal e a raízes nervosas (nervos), que saem da coluna vertebral para inervar o tronco e os membros (braços e pernas) por um espaço chamado forâmen intervertebral. Por vezes, devido à proximidade dessas estruturas, quando os discos estão lesados podem surgir sintomas neurológicos, como formigamento, perda de sensibilidade e de força muscular. Esses sintomas surgem principalmente se há uma compressão do nervo devido a diminuição do espaço do forâmen intervertebral. As figuras abaixo mostram a estrutura de uma coluna e disco normal.

Existem vários eventos que ocorrem dentro do disco que contribuem para o mesmo enfraquecer e ocasionar a hérnia discal. Um desses eventos é a diminuição da retenção de água no núcleo pulposo e degradação de alguns tipos de colágeno em todo o disco. Adicionalmente, vários fatores no corpo podem contribuir para isso, como fatores relacionados a degradação de colágeno e inflamatórios.

A hérnia de disco está relacionada com a lesão do anel fibroso, onde o núcleo pulposo excede seus limites habituais e migra da região central do disco para a periferia. Dependendo da extensão da migração do núcleo pulposo e do grau de lesão do anel fibroso, as hérnias de disco podem ser classificadas como protrusão ou extrusão. A protusão ocorre quando a extensão do disco está maior que a extensão habitual do disco. A extrusão ocorre quando há ruptura do anel fibroso e o núcleo pulposo se desloca para fora do anel fibroso. Tanto na hérnia de disco por protrusão ou por extrusão ocorre a diminuição do espaço do forâmen intervertebral, de onde saem os nervos, porém a diminuição desse espaço é mais acentuada quando ocorre a extrusão. A figura abaixo ilustra as hérnias discais por protrusão e extrusão.

A dor devido essa lesão pode ocorrer por aumento da sensibilidade da região discal pela liberação de fatores inflamatórios. Mas a dor e sintomas neurológicos também pode ocorrer devido a compressão do nervo no espaço do forâmen intervertebral, como mostrado abaixo, em uma hérnia discal extrusa.

A região da dor devido a hérnia discal, depende do local da lesão (lombar ou cervical, onde é mais comum de ocorrer), sendo que essa dor ou sintomas neurológicos podem irradiar para braços ou perna dependendo da compressão do nervo pela hérnia.

Mas se eu tenho uma hérnia discal, necessariamente eu terei dor? A reposta é NÃO! Pois a dor é uma sensação complexa que envolve fatores biológicos (lesão), psicológicos e sociais, não sendo totalmente dependente da lesão. Há muitos indivíduos que possuem hérnia de disco no exame de imagem e não possuem dor. Por isso não dê bola e não entre em desespero quanto ao que aparece nos exames de imagem, deixe que os profissionais de saúde, como fisioterapeutas e médicos, olhem e julguem a utilidade do que aparece nos exames.

Dentre os inúmeros benefícios, sabe-se que o exercício físico previne dores em região de coluna, portanto mantenha-se ativo, pois prevenir é sempre melhor que remediar.

Escrito por: Rodrigo Marcondes (Fisioterapeuta)

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