O tendão e as tendinopatias. O que é isso afinal?

Os tendões são estruturas que conectam os músculos aos ossos e são especializados em transmitir força contráteis dos músculos aos ossos para gerar o movimento de articulações. A estrutura dos tendões é composta predominantemente de colágeno do tipo I, que corresponde a 65-80 % dos tendões. O colágeno do tipo I deixa o tendão com boa resistência a tensão, suportando relativamente grandes forças. Esse colágeno se organiza em forma de fibras paralelas (como um feixe de fios de cabelos lisos preso), sendo que essa organização é necessária para o tendão suportar grandes forças.

Desequilíbrios ou exageros nos estímulos externos citados, podem gerar a doença dos tendões, as famosas tendinopatias (por vezes chamadas de tendinites). A tendinopatia é um termo utilizado para descrever um quadro complexo de patologia do tendão caracterizado por dor, redução da função e da redução da tolerância ao exercício. As tendinopatias chegam a contabilizar 30 % das queixas musculoesqueléticas em consultas médicas, sendo uma doença que produz considerável incapacidade e gastos financeiros. As tendinopatias mais comuns são a do tendão de Aquiles (próximo ao calcanhar), do tendão patelar (na frente do joelho) e do tendão supraespinal (no ombro).

Uma das alterações que ocorre nas tendinopatias é que há uma desorganização das fibras de colágeno no tendão (como fios de cabelo bagunçados) e uma diminuição do principal tipo de colágeno no tendão, o do tipo I. A causa exata das tendinopatias é ainda desconhecida, mas vários fatores, tanto mecânicos como hormonais e metabólicos têm sido implicados da origem dessa doença.

Um dos fatores mecânicos é o excesso de uso (lesões por overuse), onde o exercício é executado em períodos sem o repouso adequado para a recuperação do tendão. Quanto aos fatores hormonais, o uso de esteroides sexuais anabolizantes tem sido associado com doença e até mesmo ruptura de tendões. Um dos fatores metabólicos que surpreendentemente é relacionado com as tendinopatias é o colesterol alto, onde provavelmente existe um acúmulo de gordura dentro do tendão, que o deixa mais frágil. Outro fator metabólico é o diabetes, sendo que pacientes com diabetes apresentam maior frequência de tendinopatias.

A ciência aponta que o tratamento que mais promove benefícios para as tendinopatias é a fisioterapia, com exercícios de sobrecarga gradual respeitando a dor do paciente para a evolução da carga. São utilizados na fisioterapia, exercícios concêntricos (que promovem a ação de encurtar o músculo durante sua contração), isométricos (sustentação da contração do músculo por um período e sem movimento articular) e excêntricos (que promovem a ação de “alongar” o músculo durante sua contração – desacelaração). Uma boa orientação e supervisão de profissionais de saúde, como fisioterapeutas e educadores físicos, e treinos adequados são fatores importantes para a prevenção das tendinopatias.

Escrito por: Rodrigo Marcondes (Fisioterapeuta)

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